Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

Casamento homossexual, abalo sísmico e candidatura presidencial

José Ribeiro e Castro é hoje o protagonista da novela “Há direita para além de Cavaco?”. Há que respeitar o profundo abalo sísmico que o casamento homossexual provocou na direita mais conservadora e também na mais retrógada.  E há que respeitar, pelo seu passado de intervenção cívica, muitos dos que insistem em manter acesa a indignação pelo não-veto de Cavaco Silva ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas, a transformação deste capital de queixa numa candidatura presidencial parece manifestamente excessivo. Salvaguardando as devidas distâncias – porque se trata de pessoas  inteligentes –, a candidatura à Direita corre o risco de ser vista como a réplica intelectualizada do movimento ‘Tea Party’ norte-americano. Inspirado por Sarah Palin, ex-candidata  a vice-presidente dos EUA e uma praticante assumida da ignorância e da intolerância à diversidade e ao direito de escolha sexual, o ‘Tea Party’ tem, também, nas suas hostes uma antiga activista e um movimento anti-masturbação. Um bom tema para discutir num chá das cinco. Mas, justificará uma candidatura presidencial?

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A promoção de Vara

A passagem de Armando Vara de vice-presidente executivo do Millennium bcp para ‘chairman’ da Camargo Corrêa África foi entendida por muitos como uma despromoção ou como uma vingança servida fria. Creio que Vara terá nas suas novas funções mais influência e maior capacidade de acesso a negócios de grande dimensão. O triângulo virtuoso – que reúne Portugal, Brasil e África – tem uma perna mais curta  e não é difícil adivinhar qual delas é. Nova vida para Vara, apesar dos pesares.

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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

A tosta mista e patriótica de Alegre

Condicionado por uma candidatura que lembra uma tosta mista – com uma fatia de PS por cima e outra do Bloco de Esquerda por baixo –, Manuel Alegre encontrou nas gloriosas páginas do passado a saída para a crise, exortando os portugueses a acreditarem num país com séculos de História. Inflamado com a nação valente e imortal, o candidato e poeta lamentou que existam pessoas que “querem o FMI em Portugal”. Infelizmente, o candidato presidencial não percebeu o essencial: a despesa do Estado está descontrolada, as emissões de dívida atingem juros incomportáveis e um governo responsável terá de impor novas medidas draconianas, das quais o corte do subsídio de Natal até pode ser das mais suaves. Não se trata, portanto, de querer o FMI em Portugal mas, sim, de perceber que, a continuar pelo mesmo caminho, a sua vinda é inevitável. Quanto às glórias passadas, elas exaltam o patriotismo mas não apagam os disparates.

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Um novo milagre das rosas

Revelado o terceiro segredo de Fátima, Portugal continua pródigo na produção de insondáveis mistérios. O último a ver a luz do dia reconhece a existência de 14 mil instituições que recebem verbas do Estado. O cálculo, da autoria do economista João Cantiga Esteves, confirma um país subsidiodependente que adora viver à sombra da bananeira do Estado que, como é do conhecimento público, produz cada vez menos bananas. O PSD – que tem a sua quota de responsabilidade nesta fábrica de despesa pública –, já pediu a eliminação dos institutos públicos desnecessários. Ao PS não restará alternativa que não seja a de reconhecer o bom senso da proposta.  A não ser que consiga replicar o milagre das rosas e transformar institutos públicos em pães. Nunca se sabe…

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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

É tão feio mentir a um iletrado quanto a um doutorado

Uma das mentiras supostamente piedosas que fazem o seu caminho em Portugal é a de que a economia é comparável a uma montanha russa que hoje está em cima e amanhã em baixo. Talvez os dedos de uma mão não cheguem para indicar os ministros da Economia que já decretaram o fim de uma recessão, sugerindo que, no dia seguinte, os portões do paraíso (ou, no mínimo, os dos centros comerciais) se abririam para os pobres e remediados. Valerá a pena olhar o exemplo da poderosa economia norte-americana que decretou em Junho de 2009 o fim de uma das maiores recessões de sempre – só ultrapassada pela Grande Crise de 1929 e responsável pela destruição de sete milhões de empregos e pela perda de um quinto do rendimento médio dos americanos. Pois bem: segundo a OCDE – que é uma instituição que os políticos adoram citar quando apresenta cenários favoráveis –, só em 2013 a taxa de desemprego nos Estados Unidos deverá baixar para os níveis anteriores à recessão. No clima pré-orçamental e pré-eleitoral que se vive em Portugal, seria um sinal de maturidade que os principais partidos falassem das dificuldades presentes e futuras com verdade. E já agora: é tão feio mentir a um iletrado quanto a um doutorado.

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O Dia Europeu com Marijuana

O Dia Europeu sem Carros tem o mesmo efeito que um cigarro de marijuana. Transporta-nos para uma ilusão, deixando-nos noutro mundo por umas horas. Esta ideia bem intencionada, mas irrelevante, pertence à Comissão Europeia e celebra hoje o seu décimo aniversário. O objectivo é trocar os automóveis por bicicletas, ‘skates’, patins e transportes públicos. Deixe, portanto, o seu carro na garagem, agarre na bicicleta, nos patins do seu filho ou apanhe o transporte público se ele passar a horas perto da sua casa. Quando chegar ao trabalho, o efeito da marijuana já terá passado…

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Continuamos no pelotão dos mais atrasados, dos mais periféricos, dos mais aflitos”

Manuel Maria Carrilho, no seu novo livro, escrito quando ainda era e esperava continuar a ser Embaixador de Portugal junto da UNESCO.

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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Os demónios internos do PSD

O projecto de revisão constitucional de Passos Coelho despertou os demónios internos do partido, tirando do armário velhos rituais de canibalismo ideológico. Não há, de facto, nada melhor do que um partido impaciente para dar início a uma zaragata e o PSD tem uma propensão inata para o conflito e para a conspiração. É verdade que nem tudo tem corrido bem a Passos Coelho: sobrexposição mediática, ausência de uma equipa de porta-vozes sectoriais e uma manifesta incapacidade para amansar a desconfiança dos órfãos do cavaquismo. A proposta da revisão constitucional é a cereja em cima do bolo. Caoticamente comunicada, é legítima a dúvida sobre o ‘timing’ em que é apresentada. Como diz, com graça, Marcelo, o PSD parece querer vender óculos de sol em tempos de borrasca. No entanto, a crítica de Sócrates ao projecto – acusando-o de ser um programa de Governo – é o melhor elogio que se lhe poderia fazer. Passos Coelho mostrou, sem calculismos, o que pensa e ao que vem. E está a pagar por isso. Mas, não pode ser acusado de ser mais um político eficaz na forma e vazio ou errante no conteúdo.

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Um país de chefes

Em linguagem de pasteleiro, as empresas portuguesas são uma espécie de mil folhas de chefes. Uma empresa pública que se preze tem um chefe em cada esquina e até guarda vários na prateleira, com as regalias da função intactas, para o caso de uma emergência. Nunca se sabe o dia de amanhã e um chefe, como se sabe, é, pelo mundo fora, uma espécie em vias de extinção. O jornal i divulgou que o ramo de transporte aéreo da TAP tem 171 chefes, e que a média em empresas como a ANA, a Naer - Novo Aeroporto,  a REFER, o Metro de Lisboa, a Carris e a STCP é de sessenta cargos de chefia. Na REFER, por exemplo, há 158 chefes para 3500 trabalhadores. Talvez, estejamos em presença de um nicho a explorar para aumentar as exportações portuguesas…

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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

O País das Maravilhas de Sócrates não é o mesmo de Canavilhas

Se excluirmos os que ainda acreditam num Pai Natal de inspiração marxista, Portugal está dividido entre os que afirmam a falência iminente deste Estado social e os que sabem guardar um segredo. Circuitos fechados como o Governo continuam a guardar o segredo a sete chaves, pelo menos enquanto a defesa de um Estado Social utópico e incomportável render votos e acalmar as hostes. Não há, porém, regra sem excepção. A ministra da Cultura – num momento de clarividência e lucidez – declarou o óbvio para todos os que estudam e reflectem sobre o tema: “O Estado Social está ameaçado e em colapso iminente”. E disse mais, dizendo o que se esperava que fosse dito pelo ministro das Finanças: “Os cortes de despesa pública demonstram que o Estado Social encontrou o seu limite”. Como é a ministra da Cultura –normalmente uma figura decorativa num País de poetas – as palavras de Gabriela Canavilhas vão perder-se na espuma dos dias. Uma coisa fica assente: nem que seja por cinco minutos de descida à Terra, o País das Maravilhas de Sócrates não é o mesmo de Canavilhas.

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Ulrich, a chuva e a trovoada

Sobre o Orçamento de 2011, Fernando Ulrich disse ao Diário Económico o essencial: “Não compreendo a discussão numa altura em que ninguém sabe qual é a execução do Orçamento de 2010.” Com o ministro das Finanças desaparecido, números a conta-gotas e muita opacidade, a paciência é boa conselheira para uma Oposição que desconfia da execução orçamental mas a quem faltam factos para articular um discurso político. Tudo tem o seu tempo mesmo quando se prevê chuva e trovoada.

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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Cavaco e o Senhor de La Palisse

O inventor do tabu na política portuguesa revelou ontem a sua mais recente descoberta: o princípio da melhoria incontestável, um lugar comum que permite responder com eloquência e sem se comprometer a qualquer pergunta incómoda. Já se sabia que Cavaco Silva fugiria de minudências problemáticas como a revisão constitucional, como evitará falar da regionalização ou de eleições antecipadas. A formula usada pelo Presidente permite responder a todas estas questões sem expressar uma ideia ou opinião: “Só valerá a pena fazer alterações se estivermos absolutamente certos de que vamos para melhor”. O Senhor de La Palisse não diria melhor. Não restam grandes angústias sobre o facto de no futuro todos sabermos com exactidão quais teriam sido as decisões certas. No presente, há que correr riscos e é, também para isso, que servem os politicos. Onde está o Cavaco Silva que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas? Não é difícil adivinhar onde o conduzirá este novo princípio da melhoria inconstestável: ao Presidente corta-fitas. Será por isso que Cavaco quererá ser lembrado?

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Benfica no campo sem benfiquistas

Os benfiquistas, que dão também pelo petit nom de “seis milhões de portugueses”, estão justamente indignados com as arbitragens. Não foram os primeiros, nem serão os últimos. Parece, no entanto, um pouco excessivo o apelo dramático para que os sócios do clube se abstenham de assistir aos jogos do clube fora do Estádio da Luz. Qual o racional deste grito desesperado? Deixar a equipa sozinha no campo contra o adversário e os apoiantes dos adversários?O futebol pertence ao território das emoções e do conflito. Mas, um pouco de cabeça fria e de estratégia fica sempre bem. Qualquer que seja o equipamento em causa.

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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

O problema do PSD

O PSD está inquieto com as sondagens. Será que Pedro Passos Coelho não cola ou terão menosprezado o adversário? O problema chama-se Sócrates, um político ambidestro que, mais pela palavra do que pelos actos, assumiu uma alucinante tarefa: ser o Cavaleiro do Estado Social que tranquiliza a Esquerda e o Arauto do Estado Eficiente que apazigua a Direita. O primeiro-ministro porfiou, porfiou e encontrou a sua zona de conforto entre o Pedro Passos Coelho que defende uma dieta rigorosa do Estado e o Francisco Louçã que reclama a integração de 100 mil precários na administração pública.  A estratégia comporta um risco: Sócrates não pode estar hoje com Passos para viabilizar o Orçamento e amanhã com Louçã para eleger um candidato presidencial, como quem salta, sem convicção, de nenúfar em nenúfar. O gestor corrente, em que o primeiro-ministro se transforma diariamente, tem passado pelas gotas da chuva. É obra e, diga-se, que o primeiro-ministro o faz com distinção! Numa sociedade civil mais informada e interventiva, esta zona de conforto e as suas contradições seriam lidas como uma conveniente procrastinação. Em Portugal, a zona de conforto de Sócrates ainda é o refúgio de milhões que temem ver as coisas como elas são. E esse é também o problema do PSD.

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Nada distingue um desempregado de um doutor desempregado

Existem mais de 300 cursos superiores com menos de 20 alunos. E uma nota negativa ainda permite aceder a 38 cursos. Desconfio que houve apenas uma razão atendível para esta proliferação inusitada de fábricas de diplomas: a convicção generalizada de que ser doutor criava só por si, como se diz agora, novas oportunidades. Outros tempos. Basta hoje olhar para as estatísticas para compreender que não há distinção entre um desempregado e um doutor desempregado.

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